
Transparência Salarial: Por que a Diretiva (UE) 2023/970 mudará a gestão de RH em Portugal
A Diretiva (UE) 2023/970 sobre transparência salarial está a ser encarada por muitas empresas como apenas mais uma obrigação administrativa europeia ou um exercício de compliance. No entanto, esta perceção está profundamente errada.
O que esta diretiva introduz é uma alteração estrutural: as empresas passam a ter de justificar juridicamente toda a sua política remuneratória. Em Portugal, a esmagadora maioria das organizações não está preparada para este nível de escrutínio.
O Fim das Decisões Salariais Informais
Durante décadas, as decisões salariais em Portugal foram construídas de forma relativamente informal. Este cenário resultou em disparidades difíceis de explicar, tais como:
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Negociações Individuais: Condições de entrada decididas caso a caso sem grelhas de referência.
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Progressões Casuísticas: Promoções baseadas em critérios subjetivos ou “afinidade”.
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Prémios sem Parâmetros: Gratificações atribuídas sem critérios de desempenho auditáveis.
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Avaliações Subjetivas: Falta de documentação consistente para fundamentar diferenças remuneratórias.
Historicamente, as empresas não estruturavam os fundamentos jurídicos das suas decisões porque raramente eram chamadas a demonstrá-los. A nova diretiva inverte este paradigma.
O Desafio da Prova e o Papel da ACT
O princípio “trabalho igual, salário igual” já existe no ordenamento jurídico português, mas o problema sempre foi a assimetria de informação. O empregador detinha todos os dados, tornando quase impossível para o trabalhador demonstrar discriminação.
A diretiva obriga agora as empresas a documentar e sustentar as diferenças salariais através de critérios:
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Objetivos: Baseados em factos mensuráveis.
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Transparentes: Conhecidos e claros para todos os colaboradores.
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Neutros: Livres de viés de género ou preconceitos.
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Auditáveis: Com rasto documental pronto para o escrutínio de tribunais ou da ACT (Autoridade para as Condições do Trabalho).
O Risco Real: Quando começa o problema?
O verdadeiro perigo não surge apenas na data formal de reporte. O risco materializa-se muito antes, em situações de:
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Pedidos de Informação: Quando um trabalhador questiona o seu enquadramento face a colegas em funções comparáveis.
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Denúncias e Inspeções: Fiscalizações da ACT motivadas por queixas internas.
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Litigância Laboral: Ações judiciais onde a empresa não consegue reconstruir o histórico de decisões por falta de critérios objetivos.
PMEs: As empresas mais expostas
Muitas pequenas e médias empresas acreditam que estas regras apenas afetam grandes grupos. É um erro. Mesmo sem obrigação de reporte periódico, todas as empresas devem responder a pedidos de informação e demonstrar que os seus critérios são neutros. Sem uma política estruturada, as PMEs encontram-se particularmente vulneráveis.
Implementação Segura com a transparencia-salarial.pt
Foi para responder a este desafio que surgiu a transparencia-salarial.pt. A plataforma foi desenvolvida para ajudar as empresas portuguesas a implementar a diretiva de forma prática e segura:
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Estruturação de Categorias: Centralização e organização da informação salarial.
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Critérios Objetivos: Parametrização de avaliações e progressões.
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Gestão de Riscos: Identificação de disparidades e criação de planos corretivos.
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Apoio Jurídico: Ligação direta a especialistas para validar se a estrutura resiste a uma inspeção ou tribunal.
Conclusão
A transparência salarial deixou de ser um tema secundário de RH para se tornar uma questão de proteção jurídica e capacidade de defesa futura. Produzir um relatório é o passo final; o verdadeiro desafio é criar uma estrutura remuneratória juridicamente sustentável hoje.
Saiba mais em transparencia-salarial.pt – a plataforma que simplifica a implementação de uma diretiva complexa.

Advogada Autora
Dedica-se exclusivamente à área laboral e à gestão do departamento de Direito do Trabalho da C&FS Advogados... Ver mais sobre a Mónica Fontiela Simões.
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